INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea também pode ser chamada de sociedade da
informação. Em nenhum momento da história a informação circulou em
tamanha quantidade e em um espaço temporal tão curto. Surge um grande
problema. Como a sociedade irá organizar e apreender essas informações
que circulam entre os grupos sociais? Como a teoria de aprendizagem
sócio-interacionista poderá auxiliar na construção de um ambiente
virtual de aprendizagem (AVA) propício para a construção do
conhecimento?
A Internet é um sistema de dimensões gigantescas, que abrange todo o
mundo e que tem potencialidades surpreendentes. Se bem aproveitada, é a
melhor oportunidade para melhorar a educação e a comunicação dos últimos
tempos. É necessário incentivar o interesse crescente dos jovens pela
Internet para passar a usá-la num contexto mais criativo e educativo.
Buscando inserção nas questões que envolvem a Educação a Distância
(EAD), é importante rever, discutir e redefinir o modelo moderno de
produção e difusão do conhecimento. Entender as bases da Educação a
Distância, é instrumento fundamental para vivenciar plenamente todas as
oportunidades e todos os níveis da EAD, seja como aluno, tutor,
professor, planejador, gestor, implementador ou em qualquer outro nível
de trabalho. E é neste panorama que se faz necessário ambientes virtuais
atrativos e bem elaborados, que chamem a atenção dos usuários. Neste
contexto entra em ação o design didático.
O DESIGN DIDÁTICO
O termo “design didático” refere-se a relação dinâmica e
contextualizada, que pode ser construída em ambientes de aprendizagem,
envolvendo aqueles que querem aprender e os que ensinam, seja mediante
experiência direta ou indireta, seja individual ou coletivamente. Desta
forma, ficou evidente o lado pedagógico, social e humano de que a
educação necessita. O design didático representa o processo de análise
de requisitos, planejamento e especificação para a elaboração de cursos
baseados na Web. O termo design didático envolve, também, a gestão ou a
atualização do planejamento. Isso porque a Internet é muito dinâmica e a
participação de todos pode modificar a proposta inicial. Essa foi
considerada a grande diferença entre o Design Didático de cursos a
distância por correspondência e os cursos baseados na Web.
Diferentes autores têm procurado a definição para Design Didático
utilizando, muitas vezes, outra nomenclatura, como Design Instrucional,
definido por Filatro (2003) como “a ação intencional de planejar,
desenvolver e aplicar situações didáticas específicas que incorpore,
tanto na fase de concepção como durante a implementação, mecanismos que
favoreçam a contextualização e a flexibilização”.
Questões que deverão ser pensadas por um design didático:
Onde está o aluno? A localidade é atendida por que meios de
comunicações? Qual é a máquina e quais são os softwares que o aluno
possui? Qual é seu grau de relacionamento com essas tecnologias? De
quanto tempo disporá para realizar o curso? Quais são suas condições
financeiras?
Estas informações vão ajudar a definir a melhor abordagem, a melhor
linguagem, as melhores mídias, o melhor suporte etc. Isso envolve também
o momento da criação, no qual podemos vislumbrar e propor novas, ricas e
criativas situações de aprendizagem com a gama de recursos que temos à
disposição.
INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE: MATÉRIA – PRIMA DO DESIGN DIDÁTICO
O desenvolvimento cada vez mais acelerado dos veículos de comunicação de
massa, proporcionado pelo avanço das tecnologias da informação e
comunicação (TICs), aponta para novos paradigmas no processo de
interação social a partir do dinamismo na disseminação de códigos
culturais.
O grande desafio para os educadores é utilizar os recursos tecnológicos e
as diferentes mídias no processo ensino-aprendizagem, promovendo assim
um maior interesse e um avanço qualitativo na construção do conhecimento
pelo aluno. Dessa forma, a educação à distância, nas suas diversas
modalidades, assume papel fulcral na forma como professores e discentes
irão se relacionar com os materiais disponibilizados.
O design didático é o profissional capaz de tratar e organizar a
informação afim de customizá-la, promovendo maior interatividade e
navegabilidade tornando a construção do conhecimento pelo aluno mais
prazerosa.
Uma das ferramentas do design didático é a criatividade, pratica esta
que ao invés de ser estimulada no ambiente escolar vai pouco a pouco
sendo castrada, com o objetivo de sermos inseridos na sociedade
capitalista industrializada, onde um conhecimento básico, nivelado e
uniformizado é mais importante para a manutenção do sistema.
De qualquer forma, um pensamento inovador e criativo é fundamental para o
desenvolvimento de um bom projeto. Além de fatores internos, a
criatividade também está condicionada a fatores externos, ou seja, a
interação entre o pensamento e o contexto sociocultural impulsionam o
processo criativo. Então, a apreensão de diferentes culturas pelo
indivíduo é o ponto de partida para práticas inovadoras.
Inovação também é importante requerimento para um bom design didático. A
Inovação é necessária para adaptar diferentes conteúdos a diferentes
públicos. A inovação caminha em paralelo com a criatividade e, por isso,
o pensamento criativo é potencializado por práticas inovadoras.
Portanto, podemos entender que a matéria – prima na organização didática
está diretamente ligada ao potencial criativo do grupo de trabalho,
onde deve-se ter sempre em mente que a inovação é fundamental na
adaptação de determinado conteúdo para determinado público.
O DESIGN DIDÁTICO NA EAD
A EAD foi definida como a educação de que o indivíduo necessita, no
momento em que ele precisa, no lugar onde ele se encontra e ao menor
custo possível. Em função disso, o design didático precisa avaliar todas
as questões e escolher os melhores caminhos para se chegar aos alunos. A
mídia a ser utilizada é aquela que atende ao aluno. Assim, todas as
mídias são importantes e podem ser utilizadas, tanto isoladamente,
quanto em conjunto. Por isso, a fase de planejamento é importantíssima
para que o público-alvo seja conhecido.
As novas tecnologias – multimídia, hipermídia, redes, vídeos e
ferramentas para trabalho cooperativo – exigem um novo design que
privilegie a aquisição das habilidades necessárias para a busca, a
seleção das informações e a construção do conhecimento. Principalmente
se estamos falando de um curso a distância. O acesso à informação
on‐line, através do qual conteúdos podem ser encontrados, muda o
referencial permitindo que as ciências possam ser escritas todos os
dias, em um ritmo acelerado de aquisição de novas informações.
As habilidades cognitivas estão, cada vez mais, distantes da memória
enciclopédica e do modelo tradicional, sendo preciso desenvolver funções
cognitivas como “buscar a informação, selecioná‐la, distinguir
relevância, desenvolver a análise de alternativas, dominar as
ferramentas de compreensão textual em diferentes meios, produzir
multimídias” (Najmanovich, 2001). Os cursos em EAD acabam exigindo um
rigor, uma maior habilidade cognitiva do aluno.
Pode-se perceber a inclusão do design didático nos novos ambientes
virtuais de educação, principalmente os ligados a educação a distância.
Os novos processos de relacionamento educacional, aquisição e construção
do conhecimento, pedem uma dinâmica e uma habilidade cognitiva que é
instigada pelo designer. Como diz Pretto4 (2001) a escola, conectada,
interligada, integrada, articulada com o conjunto da rede, passa a ser
mais um elemento vital do processo coletivo de produção de conhecimento.
Diante dessa constatação, o Design Didático tem sido apontado como um
dos elementos mais importantes no processo de planejamento de um curso.
ARTIGOS RECOMENDADOS
A RELEVÂNCIA DO DESIGN INSTRUCIONAL NA ELABORAÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO
IMPRESSO PARA CURSOS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA. Acesso:
http://intersaberes.grupouninter.com.br/8/arquivos/2.pdf
IMAGENS DIGITAIS, CIBERCULTURA E DESIGN EM EAD.
Acesso: http://pt.scribd.com/doc/54651899/Artigo-Design-Didatico
REFERÊNCIAS:
MARINS. Vania, COSTA Rosa Maria E.M. Design de atividades e tarefas. Aula 3 do curso Ambientes Virtuais e mídias de comunicação.
MARINS, Vania e COSTA, Rosa Maria. Design didático.
NAJMANOVICH, Denise. O Sujeito Encarnado: questões para pesquisa no/do
cotidiano. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
PRETTO, Nelson L. Desafios para a educação na era da informação: o
presencial, a distância, as mesmas políticas e o de sempre. Rio de
Janeiro: Quartet, 2001.
FILATRO, A. C. Design Instrucional Contextualizado: articulação entre
teoria e prática no processo de ensino‐aprendizagem on‐line. SL: SE
Dissertação de mestrado, Programa de Pós‐graduação da Faculdade de
Educação, 2003.
http://grupocanticonovo.blogspot.com.br/2011/05/o-papel-do-design-didatico-na-educacao.html
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